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09/01/2026
Por: Mariana
A segurança do trabalho na construção civil deixou de ser apenas uma questão de conformidade para se tornar um pilar de viabilidade operacional. No centro disso está a NR-18 (Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção), uma das normas regulamentadoras mais fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Para engenheiros, gestores e técnicos, negligenciar a NR-18 não resulta apenas em multas pesadas; pode levar ao embargo imediato da obra, paralisando o cronograma e destruindo a lucratividade do projeto.
Neste conteúdo prático, vamos direto ao que importa: como aplicar a norma no canteiro e proteger sua operação.
1. O que é a Nova NR-18 e por que ela mudou?
A NR-18 passou por uma modernização significativa recentemente. O objetivo foi desburocratizar processos, mas, em contrapartida, a norma tornou-se muito mais focada em desempenho e gestão de riscos do que em checklists engessados.
A principal mudança foi a substituição do antigo PCMAT pelo PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). Agora, a gestão de segurança deve ser dinâmica, acompanhando cada fase da obra, desde a fundação até o acabamento.
Principais pilares da NR-18 atualizada:
- Responsabilidade Técnica: Maior autonomia para o profissional legalmente habilitado.
- Foco em Prevenção: Antecipação de riscos ocupacionais antes mesmo do início das atividades.
- Capacitação: Treinamentos mais específicos e práticos para os trabalhadores.
2. Os Maiores Gatilhos de Multas e Embargos
A fiscalização não costuma perdoar itens que apresentam Risco Grave e Iminente. Se o auditor fiscal identificar uma dessas situações, o embargo é quase certo.
Falta de Proteção Coletiva (EPCs)
A ausência de guarda-corpos, redes de proteção e sinalização em periferias de lajes, vãos abertos sem fechamento provisório e trabalhos em altura sem proteção coletiva instalada, são as causas número um de interdições. A NR-18 estabelece que a proteção coletiva deve ser priorizada em relação às medidas administrativas e ao uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).
Irregularidades em Andaimes e Escadas
A improvisação de escadas, rampas e passarelas, como o uso de tábuas soltas, degraus irregulares ou estruturas sem dimensionamento, bem como andaimes sem guarda-corpo ou com piso incompleto, constitui alvo frequente de multas e autuações. A norma exige que esses acessos sejam projetados, fixos, estáveis e dotados de pisos antiderrapantes, garantindo circulação segura aos trabalhadores.
Instalações Elétricas Provisórias
Fios expostos, ausência de aterramento e quadros de energia abertos ou sem dispositivos de proteção são situações frequentes em canteiros de obras, porém representam risco elevado de choque elétrico e acidentes fatais. A conformidade com a NR-10 no âmbito do canteiro é requisito obrigatório e indissociável da NR-18, sendo passível de autuação, interdição ou embargo quando não atendida.
3. Como Implementar a NR-18 na Prática: Passo a Passo
Para evitar sanções, a gestão precisa ser proativa. Não basta ter o documento na gaveta; é preciso vivenciar a segurança no dia a dia.
Passo 1: Elaboração do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos)
O PGR deve ser inventariado e conter um plano de ação claro. Ele precisa listar todos os riscos (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes) e definir como serão mitigados.
Passo 2: Treinamento e Integração
Nenhum trabalhador pode pisar no canteiro sem a integração de segurança. A carga horária e o conteúdo devem respeitar os anexos da norma, focando nos riscos específicos daquela fase da obra.
Passo 3: Gestão de Terceirizados
A responsabilidade da contratante é solidária. Isso significa que, se uma subempreiteira descumprir a NR-18, a multa e o embargo recairão sobre a sua empresa. Exija o PGR de todos os prestadores de serviço.
4. Checklist de Sobrevivência para o Gestor de Obra
Use esta lista para uma ronda rápida no canteiro hoje mesmo:
5. Conclusão: Segurança é Investimento, Não Custo
Evitar multas e embargos é a consequência direta de uma gestão eficiente. Quando a NR-18 é aplicada com rigor, você reduz o turnover, evita processos trabalhistas e, acima de tudo, garante que sua equipe retorne para casa em segurança todos os dias.
Atrasar uma entrega por causa de uma interdição judicial custa muito mais caro do que investir em proteção coletiva e treinamento de qualidade.
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