Como montar um plano de qualidade na construção civil
  • Gestão da Qualidade

    Como montar um plano de qualidade na construção civil

    Como montar um plano de qualidade na construção civil

    18/02/2026

    Por: Mariana

    Muitas construtoras possuem um “plano de qualidade” que existe apenas para atender auditorias ou certificações como ISO 9001 ou PBQP-H. O problema? Ele não conversa com a realidade do canteiro.

    Um plano de qualidade bem estruturado deve ser:

    • Um guia operacional da obra
    • Um instrumento de prevenção de retrabalho
    • Um direcionador de responsabilidades
    • Uma base para tomada de decisão com dados

    Se você quer estruturar um plano que realmente funcione e não apenas “cumpra tabela” este guia vai mostrar o passo a passo completo.

    O que é um Plano de Qualidade na Construção Civil?

    O Plano da Qualidade da Obra (PQO) é o documento que define:

    • Como a qualidade será garantida
    • Quais procedimentos serão seguidos
    • Quem é responsável por cada etapa
    • Quais critérios técnicos devem ser atendidos
    • Como serão feitas as inspeções e registros

    Ele transforma normas e diretrizes internas em prática executável.

    Estrutura completa de um Plano de Qualidade na construção civil

    Abaixo está a estrutura recomendada com exemplos práticos aplicáveis.

    1. Caracterização do empreendimento

    Aqui você contextualiza o projeto.

    Inclua:

    • Tipo da obra (residencial, comercial, industrial)

    • Padrão construtivo

    • Sistema estrutural adotado

    • Prazo de execução

    • Equipe técnica responsável

    Exemplo:

    Empreendimento residencial vertical, 12 pavimentos, estrutura em concreto armado moldado in loco, padrão médio-alto, prazo de execução de 24 meses.

    Por que isso importa?
    Porque os critérios de qualidade variam conforme tipologia e complexidade.

    2. Política e objetivos da qualidade

    Defina claramente:

    • Compromisso da empresa com qualidade

    • Metas mensuráveis

    Evite frases genéricas como “buscar excelência”.
    Seja específico.

    Exemplo de objetivos bem estruturados:

    • Reduzir retrabalho em revestimentos em 30%

    • Atingir 95% de conformidade nas inspeções de concretagem

    • Reduzir índice de assistência técnica pós-entrega para menos de 2%
      Isso permite mensuração real.

    3. Estrutura organizacional e responsabilidades

    Defina claramente:

    • Quem inspeciona

    • Quem executa

    • Quem aprova

    • Quem registra

    Crie uma matriz de responsabilidades (RACI).

    Exemplo:

    Sem isso, a qualidade fica “sem dono”.

    4. Controle de documentos e projetos

    Erros de execução muitas vezes acontecem porque:

    • Projeto desatualizado foi utilizado

    • Versão errada foi distribuída

    • Alteração não foi comunicada

    O plano deve definir:

    • Como projetos são recebidos

    • Como são revisados

    • Como versões são controladas

    • Onde ficam armazenados

    Exemplo prático:

    • Toda revisão de projeto deve ser registrada

    • Nenhum serviço inicia sem projeto aprovado

    • Controle digital com histórico de versão

    5. Procedimentos de execução (Instruções de Trabalho)

    Aqui está o coração do plano.

    Para cada serviço crítico, defina:

    • Passo a passo de execução

    • Critérios técnicos

    • Tolerâncias aceitáveis

    • Normas aplicáveis (ex: NBR 6118, NBR 15575)

    Exemplo – Concretagem:

    Critérios de qualidade:

    • Slump test entre 8 ± 2 cm

    • Moldagem de 6 corpos de prova

    • Lançamento sem segregação

    • Cura mínima de 7 dias

    Sem padronização, cada equipe executa “do seu jeito”.

    6. Plano de inspeção e ensaios (PIE)

    Defina:

    • O que será inspecionado

    • Quando

    • Por quem

    • Com qual frequência

    • Quais registros serão gerados

    Exemplo:

     

    Sem plano de inspeção, a qualidade vira reativa.

    7. Controle de materiais e fornecedores

    Grande parte das não conformidades nasce na origem: materiais.

    O plano deve prever:

    • Qualificação de fornecedores

    • Critérios de recebimento

    • Ficha de inspeção de materiais

    • Registro de lote

    Exemplo:

    No recebimento de aço:

    • Conferência de bitola

    • Nota fiscal

    • Certificado de conformidade

    • Estado físico

    Isso evita problemas estruturais futuros.

    8. Gestão de não conformidades

    Um bom plano não evita erros ele garante que sejam tratados corretamente.

    Defina:

    • Como registrar não conformidades

    • Como classificar (leve, grave, crítica)

    • Quem analisa causa

    • Como definir ação corretiva

    • Como evitar recorrência

    Exemplo prático:

    Erro: revestimento cerâmico com desnível acima do permitido.
    Ação imediata: correção antes da liberação do ambiente.
    Ação preventiva: treinamento da equipe + checklist obrigatório antes da liberação.

    9. Indicadores de desempenho da qualidade

    Sem indicadores, não existe gestão.

    Principais KPIs recomendados:

    • Índice de retrabalho (%)

    • Custo da não qualidade

    • Número de não conformidades por etapa

    • Índice de assistência técnica pós-obra

    • Tempo médio de resolução de NC

    Exemplo estratégico:

    Se 40% das NCs estão concentradas em impermeabilização, o problema não é pontual é sistêmico.

    10. Registro e rastreabilidade

    Toda inspeção deve gerar evidência:

    • Fichas de verificação

    • Fotos

    • Relatórios

    • Assinaturas

    Hoje, obras mais maduras utilizam controle digital, permitindo:

    • Registro em campo via celular

    • Histórico por unidade

    • Acompanhamento em tempo real

    • Dashboard de indicadores

    Isso transforma qualidade em dado estratégico.

    Erros mais comuns ao montar um plano de qualidade

    1. Copiar modelo genérico da internet

    2. Criar documento que não reflete a realidade da obra

    3. Não treinar equipe sobre o plano

    4. Não acompanhar indicadores

    5. Não revisar o plano ao longo da obra

    Plano de qualidade é documento vivo.

    Exemplo prático resumido de aplicação

    Imagine uma obra de 80 unidades habitacionais.

    Antes do plano estruturado:

    • Retrabalho frequente em reboco

    • Assistência técnica alta

    • Falta de padronização entre equipes

    Após implantar plano com:

    • Checklist digital

    • Plano de inspeção estruturado

    • Indicadores semanais

    Resultados:

    • Redução de 28% no retrabalho

    • Queda de 35% nas ocorrências pós-entrega

    • Melhor previsibilidade de custos

    Qualidade não é custo. É previsibilidade.

    Como transformar o plano de qualidade em vantagem competitiva

    Empresas que estruturam bem o plano conseguem:

    • Reduzir desperdícios

    • Melhorar margem

    • Aumentar reputação

    • Facilitar certificações

    • Escalar obras com padrão consistente

    Qualidade estruturada é diferencial de mercado.

    Conclusão

    Montar um plano de qualidade na construção civil não é apenas organizar documentos é estruturar um sistema de prevenção, controle e melhoria contínua.

    Quando bem implementado, ele:

    • Reduz riscos

    • Evita retrabalho

    • Protege margem

    • Aumenta previsibilidade

    • Melhora experiência do cliente final

    Se a sua empresa quer sair do controle manual e transformar qualidade em gestão estratégica, o primeiro passo é estruturar um plano consistente e garantir que ele seja executado na prática.

     

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